El Niño supera categoria muito forte e traz calor e temporais ao Vale do Paraíba

Pesquisador do Cemaden afirma que fenômeno pode se tornar o mais intenso desde 1950 e alerta para risco de deslizamentos no verão

clima · Vale do Paraíba · · Daniela Oliveira

El Niño supera categoria muito forte e traz calor e temporais ao Vale do Paraíba

O El Niño deve provocar mudanças no padrão do tempo nos próximos meses no Vale do Paraíba, com períodos de calor mais frequentes intercalados por pancadas de chuva e temporais. A previsão é de Giovanni Dolif, pesquisador de Meteorologia do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Segundo o pesquisador, o fenômeno já ultrapassou a categoria "muito forte" e apresenta intensidade de 2,5 graus acima da média. Em valores absolutos, ele já superou todos os episódios registrados desde 1950, início da série histórica.

Quando a comparação considera o aquecimento do planeta, o atual El Niño ocupa a segunda posição, atrás apenas do episódio de 1997. A expectativa é que ultrapasse essa marca ainda em novembro, tornando-se o mais intenso desde o começo dos registros.

No Vale do Paraíba, setembro e outubro foram marcados por chuvas acima da média, temperaturas mais baixas e alta umidade. Agora, a tendência é de mais períodos quentes, cenário que favorece pancadas de chuva no fim da tarde acompanhadas de trovoadas.

"Então, a tendência agora é a gente ter mais períodos quentes, mais chuvas e trovoadas de final de tarde, e com isso a gente vai estar alternando entre muito calor e chuvas fortes", explicou o pesquisador.

O verão é o período mais chuvoso do ano no Vale do Paraíba, no Litoral Norte, na Serra da Mantiqueira e na região bragantina. Dezembro, janeiro e fevereiro concentram a maior parte das chuvas e também registram ocorrências como deslizamentos, transbordamentos de córregos e alagamentos.

A preocupação neste ano é maior porque setembro e outubro já tiveram chuva acima da média. De acordo com Dolif, os rios estão mais cheios e os solos permanecem encharcados, o que reduz a capacidade da região de absorver novos volumes de água.

"Quando a gente chegar no verão, com essa frequência de chuvas, a chance desses eventos acontecerem é maior do que normalmente é", alertou o meteorologista do Cemaden.

O quadro descrito pelo pesquisador combina, portanto, dois efeitos ao longo dos próximos meses: de um lado, a alternância entre dias de calor intenso e chuvas fortes de fim de tarde; de outro, a chegada do período mais chuvoso do calendário sobre uma região que já acumula excesso de água no solo e nos cursos d'água.

Fonte: g1 Vale do Paraiba e Regiao