Festa da Padroeira: almoço de encerramento atravessa a madrugada e reúne a comunidade

Em Campos Novos de Cunha, o preparo do tradicional almoço que marca o encerramento da Festa de Nossa Senhora dos Remédios mobiliza moradores por horas de trabalho, fé e união.

cultura · Campos Novos de Cunha · · Daniela Oliveira

Festa da Padroeira: almoço de encerramento atravessa a madrugada e reúne a comunidade

Quem chega no domingo e encontra o almoço pronto talvez não imagine tudo o que aconteceu antes.

Em Campos Novos de Cunha, a preparação de uma das tradições mais marcantes da Festa da Padroeira começa ainda no sábado. O trabalho atravessa a tarde, segue noite adentro, passa pela madrugada e continua até que tudo esteja pronto para receber a comunidade no almoço de encerramento das festividades em honra a Nossa Senhora dos Remédios.

São muitas horas de dedicação — e muitas mãos trabalhando juntas.

O Bocaina360 acompanhou de perto parte dessa preparação e encontrou, em meio ao trabalho, algo que vai muito além da cozinha: histórias, amizade, fé e um forte sentimento de pertencimento.

Entre os responsáveis estava o Sr. Carlinhos, que participa da preparação do almoço há mais de 30 anos. Ao olhar para trás, ele conta que muita coisa mudou desde os primeiros anos — e, segundo ele, mudou para melhor.

Três décadas de experiência, porém, não eliminam completamente uma preocupação que acompanha quem assume a responsabilidade de alimentar tanta gente: será que vai dar para todos?

Carlinhos conta que essa apreensão faz parte da festa. A equipe calcula, prepara e ainda mantém uma reserva para as emergências e para aquela movimentação que só se conhece de verdade quando as pessoas começam a chegar.

Perguntado se tudo daria certo no almoço deste domingo, respondeu com simplicidade e fé:

“Deus permitindo, vai dar certo.”

Uma missão compartilhada

Em meio à preparação, o Bocaina360 também encontrou três antigos festeiros: Alcir, Rafael e José Augusto.

Quem já assumiu essa função conhece de perto o trabalho necessário para realizar a celebração e, principalmente, a capacidade que a Festa da Padroeira tem de mobilizar a comunidade.

Foi Alcir quem resumiu esse sentimento durante a conversa: “Ser festeiro é mais do que uma missão.”

Segundo ele, a escolha acontece de maneira especial. O padre convida aqueles que irão assumir a responsabilidade e, a partir daí, começa uma jornada que envolve mobilizar pessoas, organizar a celebração e cuidar de cada detalhe da festa — inclusive do tradicional almoço.

E talvez seja justamente aí que esteja o significado maior dessa tradição.

O almoço é servido gratuitamente para quem colabora com a festa e também para os visitantes. Mais do que colocar comida à mesa, é uma forma de acolher. Alcir fez questão de reforçar esse espírito ao convidar todos para participarem da comemoração em honra a Nossa Senhora dos Remédios: as portas estarão abertas para receber quem quiser chegar.

Quando a comunidade prepara a própria festa

Antes das mesas cheias no domingo, há um sábado inteiro de trabalho. Há uma noite que avança, uma madrugada de preparação e pessoas que permanecem ali porque sabem que, algumas horas depois, toda a comunidade estará reunida.

Existem os que cortam, os que cozinham, os que organizam, os que ajudam como podem e aqueles que, depois de tantos anos, continuam voltando para fazer tudo novamente.

Talvez seja por isso que o almoço de encerramento da Festa da Padroeira represente tão bem Campos Novos de Cunha.

Porque não é apenas uma refeição.

É uma mesa preparada durante horas por muitas mãos, em torno da qual uma comunidade se encontra para celebrar sua fé, sua história e a alegria de estar junta mais uma vez.

▶️ Assista ao vídeo e conheça um pouco dos bastidores dessa tradição de Campos Novos de Cunha.

Fonte: Redação Bocaina 360