Laine recomeça em Cunha após deixar negócio e clientela em Jaú
Depiladora conheceu a cidade em 2022, durante a lua de mel, e decidiu mudar
cotidiano · Cunha · · Daniela Oliveira
Há mudanças que acontecem quando algo não vai bem. E há aquelas que exigem um tipo diferente de coragem: deixar para trás justamente aquilo que já estava funcionando.
A história de Laine, depiladora que trocou Jaú por Cunha para recomeçar profissionalmente, pertence ao segundo grupo.
Antes da mudança, ela levava uma vida que define como estável. Trabalhava, tinha seus clientes e já havia construído seu espaço profissional em Jaú. Mudar significava abrir mão dessa segurança para chegar a uma cidade onde seria necessário conquistar novamente a confiança das pessoas.
“Em Jaú, minha vida era estável. Eu já trabalhava e tinha meus clientes lá também”, conta.
Uma lua de mel e o primeiro encontro com Cunha
A relação com Cunha começou antes de qualquer plano de mudança.
Laine conheceu a cidade em 2022, durante sua lua de mel. Ela conta que chegou à noite, sem conhecer praticamente nada. Foi somente na manhã seguinte que a paisagem revelou aquilo que acabaria ficando marcado em sua memória.
Ao sair de onde estava hospedada, encontrou as montanhas diante dela.
“Aí, me apaixonei.”
O encantamento, porém, não se transformou imediatamente em mudança. Entre aquela primeira experiência e a decisão de viver em Cunha, passaram-se cerca de quatro anos.
A cidade que havia sido cenário de uma viagem especial passou, pouco a pouco, a representar a possibilidade de uma nova vida.
Deixar para trás o que já estava dando certo
Quando a decisão finalmente chegou, veio acompanhada das dúvidas naturais de quem precisa trocar o conhecido pelo incerto.
Para Laine, não se tratava apenas de fazer as malas. Era preciso fechar um negócio que já funcionava em Jaú, deixar uma clientela construída ao longo do tempo e começar novamente como depiladora em outra cidade.
“Fechar o negócio em Jaú foi um pouco difícil. A gente se sente inseguro para ir para outra cidade”, relata.
A mudança também trouxe um desafio pessoal. O marido permaneceu em Jaú, e o casal precisou conversar sobre a decisão e lidar com a distância. Segundo Laine, os dois entenderam que, naquele momento, aquele seria o melhor caminho.
Mesmo diante da insegurança, havia uma convicção que falou mais alto.
“Eu sei que valeria a pena.”
Em Cunha, tudo começava outra vez
Chegar a uma cidade nova também significava reconstruir algo essencial para quem trabalha diretamente com o público: a confiança.
Em Jaú, Laine já tinha clientes. Em Cunha, precisava apresentar seu trabalho novamente.
E foi justamente o primeiro atendimento que começou a mudar essa história.
Laine conta que a experiência foi mais tranquila do que imaginava. A cliente gostou do trabalho e passou a indicá-la para outras pessoas.
“Eu atendi a cliente, ela gostou do meu trabalho, começou a indicar para outras pessoas. Então foi bem satisfatório.”
Era um começo simples, mas significativo.
Uma cliente satisfeita levou a outras indicações. E, aos poucos, o recomeço profissional que carregava tantas incertezas começou a encontrar espaço em Cunha.
A experiência mostra a importância que a recomendação de uma pessoa pode ter para quem chega a uma cidade menor e precisa reconstruir uma rede profissional praticamente do início.
Mais do que uma mudança profissional
Com o passar do tempo, a decisão deixou de representar apenas uma mudança de endereço ou uma nova etapa na carreira.
Cunha passou a ocupar um lugar também nos planos pessoais de Laine.
Quando perguntada sobre onde gostaria de estar dali a um ano, a resposta veio sem grandes dúvidas:
“Daqui a um ano eu quero estar aqui em Cunha, trabalhando com a minha família e sendo feliz como eu sou hoje.”
Para quem deixou uma rotina estabelecida, uma clientela construída e parte da segurança que já havia conquistado, a frase ajuda a dimensionar o significado do caminho percorrido.
O lugar que Laine conheceu durante uma lua de mel e que primeiro a conquistou pela paisagem tornou-se o lugar onde ela decidiu reconstruir sua profissão e projetar o futuro.
“Vai com medo mesmo”
No fim da conversa, Laine foi convidada a resumir em poucas palavras o momento que está vivendo.
A resposta foi direta:
“Coragem para começar e fé para dar certo.”
E, para quem vive o mesmo conflito entre o desejo de mudar e o medo de abandonar aquilo que já conhece, ela deixa outro conselho:
“Vai com medo mesmo, porque vai valer a pena.”
A história de Laine mostra que recomeçar nem sempre acontece porque algo ficou para trás. Às vezes, acontece porque alguém encontra, em outro lugar, uma vida que acredita valer a pena construir.
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Fonte: Redação Bocaina 360