Mercado digital e aluguéis altos mudam comércio no centro de cidades da região
Pontos comerciais desocupados se tornam comuns em Pindamonhangaba, Guaratinguetá e Cachoeira Paulista; economista cita e-commerce e custos como causas.
economia · Cunha · · Daniela Oliveira
Ao caminhar pelo centro das principais cidades da região, tornou-se comum observar pontos comerciais desocupados. O cenário é o mesmo em Pindamonhangaba, Guaratinguetá e também na turística Cachoeira Paulista. Prefeituras e associações buscam meios para reverter a situação.
Dez anos atrás, em um cenário ainda distante da pandemia de 2020, a realidade era outra, com mais lojas abertas e maior interesse do público consumidor. O período de isolamento da Covid-19 impulsionou o e-commerce, e as vendas online continuam crescendo. A concorrência do mercado digital, aliada aos aluguéis caros, tem enfraquecido o comércio físico no país e no Vale do Paraíba.
Há cerca de um mês, as Casas Bahia, uma das principais redes de varejo de móveis e eletrodomésticos do país, anunciaram o fechamento de lojas e pediram recuperação judicial para sanar dívida milionária. As portas fechadas se somam a outros estabelecimentos que também encerraram as atividades.
Para o economista Edson Trajano, a comodidade do cliente ajuda a explicar a mudança no perfil do comércio. "A pandemia acabou e as pessoas se acostumaram a fazer esse tipo de compra (e-commerce). Qual o resultado? Tem crescido as atividades de comércio, mas não necessariamente no modelo de comércio presencial", afirmou. Ele também destacou o custo das lojas: "Normalmente, o aluguel na região central é bastante elevado. Além de um custo maior com funcionários. É muito mais negócio ter um centro de distribuição mais distante de uma região central, com um custo menor, e consequentemente eu consigo atingir mais diretamente o consumidor com as entregas a domicílio".
Os dados de emprego também refletem esse cenário. Segundo o Sincovat (Sindicato do Comércio Varejista), a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte registrou o pior resultado do setor para o período entre janeiro e maio desde 2020, com 2.016 demissões. Em 2025, foram 556 demissões nos primeiros cinco meses, de acordo com o Caged. O presidente do Sincovat e vice-presidente da FecomercioSP, Dan Guinsburg, disse que "a forte base de comparação justifica esse ajuste mais forte este ano, mas também é um sinal de desaceleração no mercado de trabalho".
Apesar dos dados gerais, três atividades registraram aumento de vagas: supermercados, com alta de 4%; autopeças e acessórios, com 2,2%; e estabelecimentos de móveis e decoração.
Enquanto o comércio de rua passa por essa fase de mudança, as galerias de lojas, shoppings e supermercados atacadistas têm conseguido manter o público presente. Em Guaratinguetá, foi inaugurada uma unidade com quase quarenta lojas anexas a um hipermercado, com segmentos de serviços, beleza e alimentação.
Fonte: Jornal Atos