Relatos do botânico Saint-Hilaire reconstituem passagem histórica de Cunha pelo Vale do Paraíba em 1822
Sem passar pela então Vila de Nossa Senhora da Conceição de Cunha, o botânico francês deixou registros sobre a localidade em sua segunda viagem pela Província de São Paulo.
historia · Cunha (SP) · · Daniela Oliveira
Os relatos de viagem do botânico francês Saint-Hilaire (1779-1853) trazem um conjunto de informações sobre o Vale do Paraíba, região entre as duas maiores cidades do país. Em 1822, ele realizou sua segunda viagem pela Província de São Paulo e registrou localidades por onde passou no percurso.
O trajeto saiu do Rio de Janeiro em direção a Minas Gerais. De lá, o viajante desceu a Mantiqueira, passou por Cachoeira Paulista e Guaratinguetá, seguiu para Taubaté, Jacareí e Mogi das Cruzes até chegar a São Paulo. Na volta, o caminho incluiu Aparecida, Guaratinguetá, Areias, Bananal, São João Marcos, Itaguaí e Santa Cruz.
Embora não tenha passado pela então Vila de Nossa Senhora da Conceição de Cunha, Saint-Hilaire obteve informações sobre o município. Em um rancho de tropeiros, antes de chegar a Bananal, ele encontrou dois soldados que iriam assumir a guarda de uma barreira recém-criada na estrada entre Cunha e Paraty.
No relato, que menciona o 'Rancho de Pedro Louco', os homens informaram que Cunha ficava perto da grande cordilheira, a nove léguas de Guaratinguetá, a quatorze do pequeno porto de Parati e cinco das nascentes do Paraíba. O terreno baixo não favorecia o cultivo de açúcar e café, mas havia produção abundante de milho e de outros gêneros, parte embarcada em Parati para o Rio de Janeiro. De Guaratinguetá também eram enviados gêneros a Parati, com passagem pela Vila de Cunha.
O trecho evidencia a produção de milho da localidade, descrita como maior produtora paulista de toicinho, e o papel de Cunha como entreposto comercial entre Guaratinguetá e Paraty, importante porto do Brasil colonial.
Fonte: Jacuhy.net